Entre o NÃO sustentado e o SIM que queima

A dinâmica era simples.
E por isso, perigosa.

Alguém pediria algo.
E mesmo que o desejo fosse grande, a resposta deveria ser não.

Eu falava sobre o corpo.
Sobre o custo de não dizer o que se quer.
Sobre a tensão que se instala quando o desejo encontra silêncio.

Enquanto eu explicava, ele se aproximou.

Não pediu em tom de brincadeira.
Falou baixo, direto, sem rodeios.

Disse que estava com muita vontade de me pegar.

O calor que subiu não foi sutil.
Foi denso.
Espalhou-se pelo ventre, pelas coxas, pela respiração que falhou por um segundo.

Meu corpo quis avançar.
E exatamente por isso…
eu disse não.

O “não” saiu firme.
Mas deixou marcas internas.

Era como segurar algo vivo dentro de mim.
Como manter as mãos imóveis quando tudo queria tocar.

Mais tarde conversamos.
Depois eu fui embora.

O tempo passou — e não levou nada embora com ele.

Quando nos encontramos de novo, o cenário era outro.
Ali, nada acontecia sem pergunta.
Nada avançava sem consentimento explícito.

Eu perguntei.
Esperei.

O “sim” veio inteiro.
E quando o sim é verdadeiro, o corpo relaxa de um jeito profundo.

Havia casais.
Havia olhares cúmplices.
Havia uma circulação de desejo que não era tomada — era oferecida.

Em certos momentos, mãos se encontravam com mais intenção.
O contato era direto, quente, inequívoco.
Não havia dúvida sobre o que estava sendo tocado, mesmo sem palavras.

O desejo passava pelo corpo como uma corrente elétrica.
Chegava, atravessava, seguia.

Em outro encontro, o impulso foi mais abrupto.
Um toque inesperado.
Intenso demais.

Meu corpo respondeu com um misto de excitação e alerta.
E ali eu entendi algo que nenhuma teoria ensina:

O limite também aparece depois do sim.

Ele surge como aperto.
Como desconforto.
Como um pedido interno de pausa.

Mesmo assim, havia prazer.
Havia riso.
Havia entrega suficiente para não virar violência — mas intensa o bastante para deixar marca.

Os dias seguintes trouxeram novos encontros.
Novas cenas.
Novas permissões.

Casais, amigos, presenças conhecidas.
O desejo circulava livre, curioso, vivo.

Em alguns momentos, várias mãos.
Vários olhares.
Uma sensação estranha, quase cinematográfica — intensa, engraçada, excessiva.

O corpo ria e tremia ao mesmo tempo.

Até que chegou a hora de ir.

E mesmo indo,
o corpo ainda fuçava desejo.
Ainda buscava.
Ainda ardia.

Hoje eu sei.

O verdadeiro aprendizado não foi o sexo.
Foi o limite.

O poder do não que protege.
E do sim que só é prazer
quando não me atravessa.

O corpo sempre sabe.
Sempre avisa.

E erotismo de verdade
não é excesso —
é presença sem abandono

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